Sobre o Apiacás, a Tereza e as almas de nuvem

Apiacás_nuvens

Por Amanda Rahra

Desde que fiquei grávida, em julho do ano passado, estou para escrever um texto sobre o Apiacás – o ônibus que me leva pra fora e pra dentro do bairro de Perdizes, onde nasci e cresci. Do qual saí, voltei e tornei a sair. Tornei a voltar até sair de novo pra vir parar na Armênia, lugar que eu e Pedro escolhemos para viver os primeiros tempos de Tereza no mundo.

Era pra ser um troço simples, sei lá, uma crônica banal do cotidiano, uma homenagem particular, afetiva e lembrativa sobre uma linha de ônibus da cidade de São Paulo – Apiacás/Praça Ramos 7267. Nada demais. Mesmo. Tinha até já combinado com a minha Bibizinha querida, autora desse blog e também uma das parceiras de casa em Perdizes (a última delas, aliás, a república solar), que publicaria, sem compromisso, o tal relato sobre o tal ônibus em seu Yrodar.

Mas a real é que essa história acabou rodopiando mais do que eu previra. Ganhou alma de nuvem. Se transformava a cada brisa. E foi subindo gente. E foi descendo gente. O relato mais pragmático sobre um trajeto na cidade e as respectivas memórias (quase clichês) de uma moradora de determinado ponto geográfico foi se misturando a outras coisas pelo caminho.

Casa. Família. Identidade. Maternidade.

 E acabou que precisou Tereza nascer pra acontecer desses pensamentos todos saírem da cabeça e aterrissarem no papel.

 Analisando.
Talvez tenha faltado disciplina e sobrado preguiça.
Talvez eu tenha sido acometida por aquele apego – aquele lance de, por querer que o texto fique bom demais, a gente simplesmente não faz pra não sofrer da constatação de que, às vezes, as coisas podem sair pior do que as expectativas.
Talvez eu quisesse ser acompanhada (por um tempo) daquele senso de dever não cumprido e de uma pitada de frustração por não ter escrito.
Talvez fosse um medinho de, ao homenagear o lugar de onde parti, colocasse um o ponto final e um boas-vindas definitivo para o novo lugar habitado na cidade.
Talvez estivesse vivendo (de verdade verdadeira) um dia de cada vez. E isso me deixasse livre para não fazer grandes análises ou balanços sobre passado ou futuro.

Enfim, talvez tenha sido uma pitada de cada umas das coisas relacionadas confusamente acima, mas fato é que não escrevi – até hoje. E percebi que, assim como acontece com os acontecimentos especiais da vida, um dia eles rolam. Pode demorar mais do que o previsto. Mas se você quiser que role e for levando a vontade com muita suavidade – e não com a angústia do “precisa acontecer”–, rola. Simples assim.

Paguei o último Apiacás, dia desses, gravidona já.
Era uma sexta-feira.
Nono mês e último dia de trabalho na Énois.
Saí da casa da minha mãe, em Perdizes, pra me despedir da melhor e mais linda equipe do Brasil, no centro.
Percorri o trajeto todo. Do primeiro ponto, onde ele ainda é Apiacás, até onde ele se transforma em Praça Ramos.
(Sim, ele é circular. E não vou nem cair na tentação de fazer qualquer menção a isso como metáfora da vida. Por favor, não).

Duas semanas depois, Tereza nasceu.
E, sete dias depois, eis que finalmente o texto deixou de ser promessa.

A espera
O ponto final do Apiacás fica na rua Caiubi, entre as ruas Apiacás e Iperoig.
E eu posso me ver por lá de mil maneiras diferentes.
Em anos e décadas diferentes. Com roupas e companhias diferentes.
A adolescente adrenada por ir ao cinema, sozinha, pela primeira vez, na av. Paulista.
Indo e voltando, toda terça e quinta, para a aula de italiano, na rua Frei Caneca.
Para pegar o metro e ir mais longe.

Gravidinha, grávida, gravidona.
Brejeira. Faceira. Ofegante. Pensativa. Aérea.
Aos prantos.
De alegria. De tristeza.

Pois é, surpreendentemente esperar o ônibus pode ter muitos significados.
A cada dia. A cada hora. A cada meia hora.
Esperar um bebê também.

Não me lembro da primeira espera da vida.
Mas lembro da espera de logo depois que soube de Tereza.
Porque fiquei ouvindo a conversa entre passageiro, motorista e cobrador. E eles concordavam que os manifestantes todos (vale a nota: manifestações de junho de 2013 em SP) eram vagabundos, sem vergonha e que tinham que apanhar da polícia. E se outras vezes tinha deixado passar, fingindo não escutar direito esse tipo de comentário, dessa vez resolvi abordar o jovem cobrador depois de passar pela catraca.

Você foi a alguma manifestação? Não?
Então acho que vale conhecer melhor antes de julgar.
E mais do que isso, acho que vale não ser tão enfático nos julgamentos sobre os outros, pra sempre poder voltar atrás.

Depois disso, cobrador e eu trocamos sorrisos todas as vezes que nos encontramos na espera.
E eu fiquei com a sensação de que o mundo poderia ser mais doce para doce Tereza. Ufa!

As idas e vindas
Todas as vezes que pegava o Apiacás com Tereza aqui dentro me cobrava secretamente por não ter escrito o tal relato. E durante suas primeiras noites de vida dela, quando balançava a recém-chegada de um lado pro outro, me lembrava das idas e vindas da vida.

Perdizes foi o bairro que meus pais escolheram pra me receber no mundo.
Ou pelo menos foi onde meu avô comprou um apartamento que deu de presente pra eles.
Tomei banho de sol no carrinho andando pelas ruas perto da av. Francisco Matarazzo.
Aprendi a andar de bicicleta no Parque da Água Branca.
Dei meu primeiro beijo na festa de aniversário do prédio da rua Mário Sete.
Fiz aqui primeira turma de amigos fora da escola.
Nadei nas piscinas do Palmeiras.
Namorei meu primeiro namorado que morava no meu prédio da Apinajés.
Fiz caminhadas contemplativas e corridas frenéticas pelo canteiro central da av. Sumaré.
Comi muito cangalha ouvindo as rodas de samba do Bar do Alemão.

E andei muito de Apiacás — o único ônibus que tira as pessoas que moram no miolinho de Perdizes que fica mais pro lado da Pompéia. E que as leva de volta também.

A primeira vez que saí foi pra estudar jornalismo, em Florianópolis.
Voltei casada.
Separei e parti.
Fiquei 10 anos longe.
Separei e voltei.
Engravidei.
E dessa vez decidi sair sem deixar.
Em vez de Apiacás, agora vou pegar o Praça Ramos 7267, aqui no centro, pra visitar os avós da Tereza e todos os bons amigos que tenho nas voltas que só o Apiacás dá.

Saúde de ferro e alma de nuvem
Hoje faz 10 dias que Tereza nasceu.
Um amigo querido, com quem não tenho contato há muito tempo, me escreveu uma mensagem inesperada ao saber do nascimento da Tereza. Ele foi parceiro de casa numa dessas idas e vindas. E ainda mora em Perdizes, na esquina da Cayowaa, com a Caiubi (sim, a mesma que abriga o ponto final e começo da linha Apiacás 7267). Parabéns pela filhota! Ele disse. Que ela traga alegria, tenha saúde de ferro e alma de nuvem.

Fiquei com essas palavras formando e desformando imagens na cabeça.
Achei tão bonito que dei até uma choradinha de emoção.

E ontem, quando levamos a pequena Tereza pra laje tomar seu banho de sol da manhã, olhei pras nuvens e pensei que se pudesse desejar uma coisa pra minha filha, desejaria que ela tivesse mil rotas  incríveis pra escolher a cada instante e sempre um lugar pra voltar.

……………………

Esse texto eu quero dedicar pro Pedro, amor da vida inteira, que me deu o maior dos presentes que já ganhei. Ele passou ou nove meses do nosso ladinho – apesar de ter seu próprio ônibus e não saber viver sem pegar a estrada.

Passou o tempo botando a orelha na barriga (comprou até um estetoscópio – que não funcionou obviamente) pra conversar com Tereza. E ficou ouvindo (bravamente) as ladainhas da mãe dela. Sobre a vida. Sobre o Apiacás.

Com sua alma de nuvem, o Magro.

Um beijo também pra minha irmã Maíra, que sempre disse que escreveria sobre o Apiacás.
Para que ela também consiga criar coragem e sacudir a preguiça.

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Ao menino da rua Judite

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Hoje eu escreveria sobre Os meninos da rua Paulo, um livro que merece ser devorado com a mesma intensidade feroz com que os garotos de Budapeste entraram em guerra para defender seu terreno baldio. Pensava nas epopeias juvenis, na lealdade e no respeito que se constroem coletivamente durante a infância. Queria falar de Nemescek, o miúdo e bravo personagem que me levou às lágrimas. Faria uma analogia entre as descobertas adolescentes e a possibilidade de nos redescobrirmos a cada novo ano. Não deu tempo. Antes que os rojões anunciassem a entrada de 2014, veio você. Não diria miúdo, mas igualmente bravo.

Você nasceu na cozinha, o cômodo mais alegre, movimentado e aconchegante da casa. O preferido dos seus pais. Os vizinhos da rua Judite mantiveram os ouvidos atentos, se emocionaram ao ouvi-lo chorar pela primeira vez. Chegou pulsando, potente, grande. Foi trazido à luz — e trouxe luz — com a ajuda de mãos sensíveis e competentes. Sua mãe te teve nos braços e vocês conversaram. Seu pai te teve nos braços e vocês silenciaram. Choraram todos. Ela é forte, Bento. Ele é bom. Ambos são generosos e vocês três formam um trio valente que, como os meninos da rua Paulo, vai estabelecer seu código de conduta particular, baseado no amor.

Você tem um irmão respeitoso e uma irmã apaixonada. Tem avós cuidadosos e uma bisavó sábia. Dezenas de tios, primos e amigos estavam à sua espera. A verdade é que tudo o que eu disser sobre o momento da sua chegada ao mundo é pouco. Talvez por isso eu tenha tão pouco a dizer. Sabe, às vezes, as palavras são pequenas demais diante da imensa beleza que os olhos testemunham. Mas senti que me cabia ao menos o esforço destas breves palavras.

O amor, Bento, é um abraço grande o suficiente para envolver todos os seres do universo. E gratidão é quando o coração reconhece que ganhou um presente. Eu te amo e te agradeço. Se algum dia você duvidar de milagres, olhe para si mesmo. A vida é um grande milagre — e esse não é o tipo de frase que eu escreveria sem um bom motivo. Uma última coisa: os adultos costumam achar que sabem mais do que as crianças. Perdoe-nos por isso. Daremos o melhor de nós para aprender com a sua sabedoria.

Seja bem-vindo. Tome seu tempo.
A maior das batalhas você já venceu!

Foto: Seu primeiro dia na rua Judite (e no mundo)

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Flores

Adentrei-me na minha alma
(Daniel Lima)

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Fotos: Flores da Solar, de muito perto

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As histórias que os prédios contam

Mire e veja: os edifícios têm algo a dizer. Arquitetura e literatura têm mais do que um sufixo em comum. O arquiteto e urbanista Luís Antônio Jorge está no centro de São Paulo para ler os enredos e as personagens embrenhados no concreto

por Paula Desgualdo
fotos André Seiti (tem mais aqui)

Texto publicado na 4ª edição da revista Efêmero Concreto, out/2013

Mas, hoje em dia, agora, agorinha mesmo, aqui, aí, ali, e em toda parte, poderão os prédios falar e serem entendidos, por você, por mim, por todo o mundo, por qualquer um filho de Deus?! A pergunta é quase a mesma que faz o narrador de “Conversa de bois”, conto publicado no livro Sagarana, de João Guimarães Rosa. Só não está entre aspas, feito citação, porque no lugar de prédios, como deve ter suspeitado o leitor atento, o original traz a palavra bois.

A alteração herege no texto roseano tem um motivo. Ao lado de “Recado do morro”, outro conto do escritor, a narrativa que se inicia com o trecho mencionado serviu de inspiração para que, em 2005, o arquiteto e urbanista Luís Antônio Jorge, professor e pesquisador da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), projetasse a reforma da Casa de Cultura do Sertão, no Morro da Garça, que fica no miolo do estado de Minas Gerais. Antes de esboçar os primeiros traços, Luís estabeleceu um longo e profundo diálogo com os escritos do autor. A compreensão do espaço e da paisagem, o desenho de cada peça de madeira, tudo se deu a partir de uma interpretação do universo poético de Guimarães Rosa e de um confronto entre a obra literária e o lugar no qual ela seria traduzida em obra arquitetônica. Quem visita o centro cultural encontra uma pequena casa restaurada e um pavilhão anexo. A varanda que conecta esses dois ambientes faz uma homenagem à silhueta do morro e ao carro de bois, minuciosamente estudado pelo arquiteto, que acompanhou um mestre carreiro em seu ofício.

E eis que agora, agorinha mesmo, Luís está no centro de São Paulo para falar justamente sobre a relação entre arquitetura e literatura. Nessa vereda de mão dupla, as personagens e os enredos fictícios são referência para a intervenção no espaço, e o espaço, por sua vez, possibilita uma leitura imaginativa digna de trama literária. Aqui não tem sertão, não tem restinga, muito menos boi. Mas, assim como Guimarães Rosa, a literatura extrapola contextos – e também se esconde no concreto da cidade.

Biblioteca no asfalto

Interpretador sagaz de concreto, o arquiteto logo começa a ler em voz alta o Theatro Municipal, aquele edifício arrojado, erguido no nascer do século passado: “Veja toda essa pompa. Os olhos vão pregando nas colunas, na sobreposição delas. Tem uma ordem embaixo e outra lá em cima, tem o dórico e o coríntio, tem figuras de personagens importantes que retratam as artes… É uma narrativa muito marcada pela figuração”.

Traduzido de jeito que bem entendam os outros, parece que o tal do teatro quer mostrar que somos todos letrados, cultos, brancos, europeus até. Na época em que ele foi desenhado por Ramos de Azevedo, tendo como base a Ópera Garnier, de Paris, a arquitetura acadêmica de belas-artes que o caracteriza era considerada indispensável a qualquer cidade que se pretendesse civilizada.

Para Luís, a forma do edifício se assemelha à de um poema parnasiano, que valoriza a beleza, os detalhes, o vocabulário rebuscado e o resgate de temas clássicos. Ornamentado e imponente, o Municipal diz “olha-me!”, como que recitando o primeiro verso do poema de mesmo nome escrito por Olavo Bilac. Tal qual poeta parnasiano, o arquiteto que projetou o teatro se baseia em uma métrica rigorosa, em códigos preestabelecidos.

Se cada estrutura do espaço urbano pode ser lida como texto – seja poesia, seja prosa –, será possível, enfim, pensar a cidade como uma grande biblioteca? O homem silencia pensativo antes de responder: “As boas bibliotecas normalmente são organizadas. Aqui fica difícil ordenar por gênero ou assunto”.

Dom Quixote nas galerias

Já viu prédio que é puro fluxo narrativo? O Copan, de Oscar Niemeyer, é desse tipo. Desde 1950, insinua seus 140 metros ondulantes no recheio da capital paulista. Para o pedestre que chega da calçada, o térreo é uma continuação da rua. Não tem degrau nem entrada nem qualquer obstáculo que atravanque o seu trajeto. Luís faz gosto: “É uma forma muito generosa de convidar o pedestre e não interromper a narrativa urbana”.

No núcleo arquitetônico central de São Paulo, ele gosta mesmo é das passagens, das travessias, das ruas inventadas no meio dos lotes, dos desvios que costuram ruas e dão nó no asfalto, como a Galeria do Rock, na avenida São João, e as galerias Metrópole, na praça Dom José Gaspar, e Nova Barão, na rua Barão de Itapetininga. Esses acessos o fazem lembrar grandes personagens caminhantes da literatura, aqueles tipos urbanos esquisitos e ociosos caracterizados por Charles Baudelaire no livro As flores do mal ou por Edgar Allan Poe no conto “O homem na multidão”. Sem falar em Dom Quixote, o errante de Miguel de Cervantes que transita tanto por territórios físicos quanto pelos fantasiosos.

É verdade que a imaginação não depende só de referências literárias. Os elementos visuais da cidade estão aqui, aí, ali, e em toda parte, para que cada um os interprete como bem entender. Nesse sentido, é uma leitura muito mais democrática, uma leitura inclusive para iletrados, para qualquer um que deixe o pensamento passear quando vê uma janela entreaberta, uma parede descascada, uma porta colorida. A princípio, tudo na metrópole, inclusive uma fachada lacônica e impessoal, pode render uma boa novela. Ou seria uma crônica? Que tipo de texto, afinal, seria a cidade? O apreciador de atalhos reflete: “Tão estranha narrativa, tão truncada, de tão difícil leitura. Que texto seria esse? Um texto incompreensível, em que os conflitos se exacerbam, as vozes se sobrepõem e os desenhos se digladiam”.

Gramática urbana

Como qualquer meio de expressão do ser humano, a arquitetura possui uma linguagem própria. Tanto é que, assim como as ideias e os sentimentos transcritos em frases, ela tem uma sintaxe e até uma semântica. “Estudar a linguagem, nesse caso, é entender a cidade como um sistema organizado de informação, pensar se esse espaço informa e se faz parte de um sistema informativo”, comenta Luís. “É assim o discurso da sintaxe urbana, formado basicamente pelo construído e o não construído.”

Os elementos sintáticos seriam os edifícios, as portas, as coberturas, que se trançam em um baile coeso, como se fosse texto mesmo. Já a semântica, um tema emaranhado para os conhecedores do assunto, está relacionada ao uso do edifício, mas não só isso. Alguns pesquisadores dizem tratar-se do significado cultural que ele tem, de como se insere na história e no cotidiano do lugar. Porque é no dia a dia, em um dia qualquer como hoje, que se desenvolve o enredo da cidade. O nascer, morrer e transitar das personagens – de ferro, concreto, madeira, carne, osso e fantasia – é o que dá o tom da narrativa. E, como vida de caminhante é caminhar, os andarilhos agora pedem licença para seguir seus passos rua adentro, em toada de carro de boi.

Você já leu esse prédio?

A reforma da Casa de Cultura do Sertão, no Morro da Garça, é um entre vários casos em que a ficção extravasa os limites das páginas do livro para se materializar em estrutura arquitetônica. O site Flavorwire listou alguns edifícios erguidos em diversos cantos do globo em tributo a grandes autores e seus escritos.

Na pequena ilha de Martha’s Vineyard, nos Estados Unidos, por exemplo, Steven Holl usou madeira para construir a casa que, em Moby Dick, de Herman Melville, foi feita com ossos de baleia por uma tribo indígena. Já em Barcelona, na Espanha, um conjunto residencial reproduz a fortaleza onde o protagonista de O castelo, de Franz Kafka, não consegue entrar.

Existem ainda versões para Cidades invisíveis, de Italo Calvino – que, aliás, é uma referência de diálogo literário com a arquitetura –, O hobbit, de J.R.R. Tolkien, e Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol. Provas não faltam de que, como cimento e tijolo, a palavra também edifica – em sentido literal.

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Lembranças de um telefone aposentado

(2) 07-10-2011 Um guarda-chuva
Um guarda-chuva (07.10.11)

(3) 07-10-2011 Um  aniversário
Um bolo (07.10.11)

(4) 08-10-2011 Uma preguiça
Uma preguiça (08.10.11)

(5) 17-10-2011 Um corredor
Um corredor (17.10.11)

(12) 28-01-2012 Um edifício
Um edifício (28.01.2012)

(13) 05-02-2012 Um samba sem hora
Um samba sem hora (05.02.12)

(14) 06-04-2012 Um jogo
Um jogo (06.04.12)

(15) 14-04-2012 Uma várzea
Uma várzea (14.04.12)

(21) 07-05-2012 Um olho de gato
Um olho de gato (07.05.12)

(22) 18-05-2012 Um sorriso
Uma janela (18.05.12)

(23) 19-05-2012 Um baile
Um baile (19.05.12)

(24) 08-07-2012 Um tapa-olho
Um tapa-olho (08.07.12)

(25) 08-07-2012 Um pé
Um pé (08.07.12)

(26) 10-07-2012 Uma vizinhança
Um sono (10.07.12)

(27) 11-07-2012 Um silêncio
Um silêncio (11.07.12)

(31) 23-07-2012 Uma cicatriz
Uma cicatriz (23.07.12)

(32) 19-03-2012 Uma quase vista
Uma quase vista (19.03.12)

(36) 17-06-2013 Uma manifestação
Um monte de gente (17.06.13)

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Tchau, tchau, Drummond

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Primeira Carta I

Carta I

“Pois que toda a literatura é uma longa carta a um interlocutor invisível, presente, possível ou futura paixão que liquidamos, alimentamos ou procuramos. E já foi dito que não interessa tanto o objecto, apenas pretexto, mas antes a paixão; e eu acrescento que não ineteressa tanto a paixão, apenas pretexto, mas antes o seu exercício.

Não será portanto necessário perguntarmo-nos se o que nos junta é paixão comum de exercícios diferentes, ou exercício comum de paixões diferentes. Porque só nos perguntaremos então qual o modo do nosso exercício, se nostalgia, se vingança. Sim, sem dúvida que nostalgia é também uma forma de vingança, e vingança uma forma de nostalgia; em ambos os casos procuramos o que não nos faria recuar; o que não nos faria destruir. Mas não deixa a paixão de ser a força e o exercício o seu sentido.

Só de nostalgias faremos uma irmandade e um convento, Soror Mariana das cinco cartas. Só de vinganças, faremos um Outubro, um Maio, e novo mês para cobrir o calendário. E de nós, o que faremos?”

1/3/1971
Novas cartas portuguesas. De Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa

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